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Manchas de Sol

A dermatologista Luciana Garbelini dá dicas de cuidados em casa e indica os melhores procedimentos estéticos

Os dias quentes de verão podem trazer alguns danos à pele. Nessa época as pessoas se expõem ao sol com maior frequência e é comum surgirem manchas escuras, especialmente no rosto. Por isso, a dermatologista Luciana Garbelini, da Clínica Luciana Garbelini de São Paulo, dá dicas de cuidados e de procedimentos estéticos para melhorar o aspecto da pele nesses casos.

1) Tudo começa pela proteção solar

A proteção solar diária é fundamental, mesmo com o fim do verão. “O ideal é que na época de exposição solar mais intensa os cuidados sejam redobrados para prevenir as manchas. Mas, caso elas surjam, o uso do protetor solar continua sendo importante para que não se desenvolvam ainda mais. Além disso, existem protetores com função clareadora que atuam nas regiões pigmentadas e ajudam a clarear as áreas acometidas”, explica a doutora Luciana.

A recomendação é usar protetor com cor de base, pois este tem uma proteção superior. Assim como ficar atento ao Fator de Proteção Solar (FPS), que deve ser de no mínimo 30. Tanto no protetor solar com cor quanto no caso do tradicional. E também buscar entre esses produtos aqueles que contam com ação clareadora. A dermatologista ainda explica que a pigmentação pode ocorrer também com a luz visível, por isso, deve-se associar à fotoproteção filtros físicos, que têm compostos minerais, tais como óxido de zinco ou dióxido de titânio. Além disso, não esquecer que a frequência também importa: “É necessário reaplicar o protetor a cada quatro horas”, diz ela.

2) Escolha os ativos e ácidos clareadores certos

A escolha dos produtos usados em casa pode ser uma arma poderosa no combate contra as manchas. Ativos com ação clareadora são ótimas pedidas, pois ajudam a clarear e uniformizar a pele. A vitamina C é um das substâncias usadas para este fim, pois ela inibe a ação da tirosinase, enzima que age na formação da melanina, e causa a pigmentação da pele. Além disso, é uma ativo que ajuda na proteção solar, contribuindo com a ação dos filtros solares.

Outra substância indicada para clarear manchas é o retinol. Ele é derivado da vitamina A e contribui no combate da hiperpigmentação. Ainda provoca uma esfoliação suave na superfície da pele, o que ajuda a melhorar a  textura e a luminosidade. A orientação é que seja utilizado à noite. “Vale ressaltar que ele combinado com a vitamina C potencializa o tratamento”, diz a médica.

Os ácidos também podem ser incluídos na rotina noturna de cuidados. O destaque é para o ácido tranexâmico, que funciona muito bem com todos os tipos de manchas, inclusive o melasma. “Esse ácido consegue inibir a conversão do plasminogênio em plasmina, uma substância liberada sempre que a nossa pele sofre uma agressão, como exposição ao sol, inflamação da acne ou um machucado. A plasmina estimula fatores inflamatórios que vão aumentar a produção de melanina na pele. Com isso, ao inibir essa substância, não há o estímulo da produção de melanina e da inflamação”, explica Luciana que também comenta que essa é uma característica diferente de outros ácidos clareadores que, em geral, atuam inibindo a enzima tirosinase, responsável pela produção de melanina.

De acordo com a médica, ele pode ser usado de forma tópico, de uma a duas vezes ao dia, e como suplemento por via oral. “Segundo estudo, mostrou-se uma melhora ainda maior no tratamento contra melasma quando combinados”, comenta ela.

3) Procedimentos estéticos que merecem destaques

Hoje, existe uma ampla variedade de procedimentos estéticos que podem ser combinados aos cuidados que se tem em casa. Os peelings químicos são altamente recomendados para tratar manchas superficiais, e com profundidade média. São realizados com ácidos, como o retinóico (que funciona da mesma forma o retinol, sendo que mais potente já que ele tem concentrações mais altas). “Por meio de uma reação química, as camadas mais superficiais da pele são destruídas. Como resultado, acontece um processo de cicatrização pelo próprio corpo, promovendo uma renovação da pele. E fazendo com que os pigmentos sejam eliminados”, esclarece a médica.

Um tratamento realizado em consultório que tem se mostrado eficiente no tratamento de melasma é o ácido tranexâmico por meio do microagulhamento com ‘drug delivery’. “Através de pequenos canais abertos na pele (que podem ser realizados com laser ou dermaroller) o ácido é aplicado de forma mais profunda e direta”, explica ela.

O laser Q-Switched também é uma boa opção para o tratamento de melasma, e outras manchas. “A energia do laser penetra na pele, destruindo as lesões pigmentadas superficiais e profundas. Esse tipo de laser gera menos calor na pele, o que o torna um bom candidato no tratamento de manchas, uma vez que o efeito térmico pode piorar o quadro”, esclarece. “Outra alternativa é a Luz Intensa Pulsada, que por meio da emissão de luz, age na camada superficial, clareando manchas, principalmente as manchas senis, pequenos vasos e sardas”.

A dermatologista ressalta que os produtos e tratamentos devem ser indicados por um médico especializado, de acordo com cada caso e tipo de mancha. “Após uma avaliação, é possível orientar a melhor estratégia de tratamento”, finaliza.

Sobre Dra. Luciana Garbelini

Dermatologista Formada pela Universidade de Santo Amaro. Residência médica em Dermatologia na Universidade de Santo Amaro

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Genética e a pele

A genética pode influenciar na saúde da pele?

A pele é o maior órgão do corpo humano, e como tal tem complexidades. Suas características são definidas por muitos fatores, que podem ser classificados ou terem natureza extrínseca e intrínseca. Dentro deste último grupo está a genética. Assim, por meio de uma análise genética é possível conhecer particularidades da pele, como predisposições a doenças e transtornos de pigmentação, o que ajuda a direcionar cuidados e tratamentos.  “O olhar para as origens pode ser como olhar para o futuro, principalmente se tratando da pele”, diz a dermatologista Luciana Garbelini.

Doenças e a genética

De acordo com a médica, muitas doenças de pele têm causas ou tendências genéticas. Alguns exemplos são psoríase, vitiligo, dermatite atópica e até câncer de pele. Além da acne e melasma, que também podem ter predisposição genética.  “Assim, conhecer o histórico familiar e até mesmo realizar um exame que avalia o DNA da pessoa são ferramentas poderosas para ajudar no diagnóstico aos primeiros sinais da doença ou de alguma alteração cutânea. Também pode ajudar na sua prevenção, já que ao saber da predisposição, a pessoa pode evitar uma série de situações que estimulem o desencadeamento da doença. E até estabelecer uma rotina de cuidados mais adequada às especificidades daquela pele”.

Cor da pele e suas características

A cor da pele está relacionada com a sua pigmentação. Esta se caracteriza pela quantidade de melanina que o corpo produz e é definida por fatores genéticos. Peles claras possuem baixa quantidade de melanina. Por esse motivo, estão mais suscetíveis à ação do fotoenvelhecimento. “Por ser uma pele sensível ao sol, para garantir a proteção é recomendado o uso de filtro solar que protege contra os danos causados pela radiação UVA e UVB. Nesse caso, o fator de proteção solar (FPS) deve ser 50 ou maior”, afirma a médica. 

Elas ainda podem ser mais propensas a manchas decorrentes da idade, como as melanoses, que são marcas de coloração castanha causadas pela exposição solar. “Produtos com hidroquinona na composição são recomendados por ser um agente despigmentante. Como resultado, promove o clareamento gradual das manchas. Além dele, o retinol, substância derivada da vitamina A, é recomendado para clarear manchas. Ainda provoca uma esfoliação suave na superfície da pele, o que ajuda a  melhorar a textura e a luminosidade. No entanto, o uso deve ser realizado durante a noite e é necessária a aplicação de protetor solar na rotina diária”, lembra a dermatologista.

Por outro lado, quem tem pele escura possui alta quantidade de melanina, assim os efeitos do fotoenvelhecimento tendem a ser menores. No entanto, essas pessoas estão propensas a distúrbios de pigmentação relacionados, por exemplo, a lesões causadas por acne. De acordo com a especialista, investir em dermocosméticos que apresentam na composição ativos antioxidantes como a Vitamina E e a Vitamina C pode ser interessante.

Pessoas com fototipo mais escuro também estão mais suscetíveis ao surgimento de melasma. Nesse caso, a médica recomenda o uso de produtos à base de ácido tranexâmico. “Esse ácido inibe a ação da plasmina, uma substância liberada sempre que a nossa pele sofre uma agressão e que gera o aumento da produção de melanina na pele. Pode ser usado de forma tópica, de uma a duas vezes ao dia, e como medicamento via oral”, diz doutora Luciana. Outra alternativa é o uso de peelings, lasers e luz pulsada que possibilitam o clareamento e estimulam a renovação do tecido. 

Ela explica que as peles escuras tendem a ser oleosas devido à maior produtividade de glândulas sebáceas. “A proteção solar deve ser realizada com produtos que preferencialmente não apresentem óleo ou outras substâncias que estimulam as glândulas sebáceas. E para auxiliar no controle da oleosidade é indicado o uso de produtos à base de ácido salicílico e ácido glicólico”, afirma.  

Por fim, a médica ressalta que o cuidado com a pele é algo especial e que cada paciente exige um tratamento dermatológico específico. Por isso, a importância de procurar um médico especialista para cuidados personalizados.

Sobre Dra. Luciana Garbelini

Dermatologista Formada pela Universidade de Santo Amaro. Residência médica em Dermatologia na Universidade de Santo Amaro

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Desvendando o microbioma da pele

Entenda um pouco mais sobre os organismos que fazem parte da flora cutânea

Esse tipo de expressão, em um primeiro momento, pode parecer um pouco estranha. Mas se associarmos ela a outro órgão, como o intestino, fica mais fácil de entender. A flora intestinal, como costuma ser conhecida, é composta por um conjunto de microrganismos – principalmente bactérias – que vivem nesse ambiente e desempenham diversas funções ao estarem em condições propícias para sua conservação, manutenção e multiplicação. Mas esse tipo de ecossistema não existe só no intestino. “Diversos órgãos do corpo humano possuem bactérias e fungos ‘do bem’ que compõem a microbiota dessas regiões, sendo a presença deles fundamental para o equilíbrio da saúde humana,” explica a dermatologista Luciana Garbelini. 

Porém, falar sobre o microbioma da pele é algo recente. “O tema ecossistema cutâneo não era tão divulgado, principalmente fora do ambiente acadêmico. No entanto, esse olhar para a pele de uma forma mais micro e como isso pode impactar no todo, é importante para manter o seu equilíbrio. Por isso, torna-se um assunto interessante de ser abordado e que vem ganhando destaque”.

Mais proteção

Uma das principais funções da pele é ser a primeira barreira do organismo. É um dos órgãos mais expostos, estando em contato direto com o meio externo. Por isso, precisa de uma ‘ajuda extra’ para conseguir se manter saudável e desempenhar suas funções. “É aí que entra a flora cutânea, como uma capa de proteção para a pele – que já é o nosso obstáculo natural contra diversas ameaças”, lembra a especialista.

A médica conta que os organismos que vivem na epiderme encontram ali o ambiente adequado para se manterem, sem causar danos ao outro lado. Ao mesmo tempo em que essas bactérias ‘do bem’ conseguem promover um equilíbrio local, o que acaba favorecendo a região em que se encontram.

O desequilíbrio

As alterações dessa flora podem ser causadas por diferentes fatores. Hábitos alimentares e de vida podem influenciar nesse desequilíbrio, tais como sedentarismo, consumo de açúcares brancos e alimentos processados e período de sono reduzido.  “Mudanças nessa microbiota podem deixar a pele mais seca e sensível, e como consequência mais vulnerável. Inclusive, ficando propensa a desenvolver acne, dermatite atópica ou alergias e até psoríase.” 

A pele é um órgão que somatiza e reflete bastante os desequilíbrios internos. Então, questões psicológicas e emocionais também são refletidas e acabam afetando a microbiota. “Por exemplo, secreções como oleosidade e suor podem passar por alterações por conta disso”, explica a médica.   

Em adicional, itens de higiene que prometem alta limpeza acabam removendo essa proteção natural da pele, retirando em excesso às bactérias, fungos e a oleosidade que estão ali com a função de contribuir como mais uma barreira. “A partir dessa retirada, os organismos patogênicos se aproveitam de uma área desprotegida e se instalam. E se essas condições ‘ruins’ se mantêm, esses microrganismos nocivos acabam se proliferando e causando problemas.” 

Como preservá-la?

Hidratar a pele é um dos caminhos para manter um ambiente adequado para os organismos ‘bons’ que vivem ali e a protegem. “Produtos com ativos prebióticos de uso utópico são muito interessantes exatamente por estimularem um ambiente mais rico para esses seres”, destaca doutora Luciana. Que ainda completa: “Consumimos probióticos para repor possíveis bactérias que estejam em falta no nosso organismo. Da mesma forma acontece com a pele. Além disso, é importante dar alimento para esses microrganismos, e produtos com ação prebiótica tem essa função.”

Manter hábitos saudáveis também contribui para preservar esse microbioma. “A prática regular de atividades físicas, o consumo adequado de água e uma alimentação equilibrada, assim como buscar ter um sono em dia são alguns exemplos que ajudam nesse processo”.

Sobre Dra. Luciana Garbelini

Dermatologista Formada pela Universidade de Santo Amaro. Residência médica em Dermatologia na Universidade de Santo Amaro

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Guia de cuidados com a pele após os 45 anos

Dicas para manter a saúde e o viço da pele perdidos com a idade

Com o passar dos anos, o corpo muda, e com ele os cuidados que se têm com a pele precisam ser adaptados. Aqui a dermatologista Luciana Garbelini compartilha as melhores dicas para as mulheres de mais de 45 anos manterem uma pele nutrida, bonita e saudável.  

Limpeza em dia

Como em qualquer rotina de cuidado com a pele, conservar a pele limpa é fundamental. No entanto, a médica explica que à medida que as mulheres envelhecem, principalmente após a menopausa, acontecem alterações hormonais que fazem com que o corpo produza menos óleo. “Como resultado, já que a pele torna-se menos oleosa – e, em alguns casos, até ressecada – a lavagem do rosto pode ser mais suave, com sabonetes neutros, principalmente os líquidos e cremosos. No entanto, sempre lembrar de fazê-la, pois é por meio dela que os poros são desobstruídos e os ativos usados posteriormente são absorvidos com mais facilidade”, explica a médica. 

Outra etapa de limpeza que não se deve deixar de lado é a esfoliação. Nas peles maduras, ela é ainda mais indicada porque ajuda a uniformizar a textura e recuperar a luminosidade da pele, características que vão se perdendo com o tempo. No entanto, é necessário cuidado, uma vez que a pele é mais fina e delicada. Nesses casos, a esfoliação física deve ser feita com frequência menor: uma vez por semana após a limpeza da pele.  “A indicação é não exagerar na intensidade da pressão aplicada durante a esfoliação, já que isso também pode contribuir para a sensibilização cutânea”, diz Luciana.  

A esfoliação química pode ser associada para deixar a pele ainda mais uniforme e sedosa. É importante, porém, usar o ativo adequado a cada tipo de pele. O ácido glicólico é uma boa opção. Além de renovar a pele e remover as células mortas, esse ativo estimula a produção de colágeno, suavizando as linhas de expressão e rugas. Nesse caso, doutora Luciana indica produtos em creme e com percentagens menores do ativo para não descamar e ressecar a pele. 

Vale reforçar a hidratação e sustentação da pele

A pele madura torna-se mais seca e opaca, por conta da redução da oleosidade. Além disso, a partir dos 45 anos, os níveis de ácido hialurônico, colágeno e elastina (substâncias produzidas naturalmente pelo corpo e responsáveis por hidratar e dar sustentação à pele) diminuem consideravelmente. Esse processo começa a acontecer bem antes por um conjunto de fatores internos e externos, mas intensifica-se com a proximidade da menopausa. Por isso, para reparar e hidratar, é interessante usar um hidratante que tenha ácido hialurônico na sua formulação. “É um ativo muito recomendado para as peles maduras em concentrações mais altas. Junto a ele, recomendo outros ativos hidratantes, como vitamina B5, vitamina E, e probióticos”, explica a doutora Luciana.

Outra indicação para ajudar na firmeza e sustentação da pele é o ácido retinóico. Derivado da vitamina A, ele é de uso tópico e aumenta a reserva de colágeno e elastina, além de ajudar a clarear a pele. “É usado durante a noite, logo após o hidratante, já que nesse período a pele tem um poder de absorção maior e consegue realizar um processo de regeneração mais intenso. O retinol é usado ainda para tratar a flacidez da área dos olhos, que se acentua mais a partir dessa idade”, acrescenta

Ações contra manchas

Ao longo do tempo e principalmente nessa faixa etária, as peles mais claras que foram muito expostas aos raios ultravioletas podem desenvolver manchas chamadas melanoses. Escuras e arredondadas, podem surgir no corpo todo. Por isso, a doutora  Luciana recomenda não relaxar com a proteção solar. “Investir em protetores com Fator de Proteção Solar (FPS) de no mínimo 30 e repassar o produto com frequência ao longo do dia são cuidados básicos e importantes para prevenir manchas na pele”, ressalta a dermatologista. 

De acordo com ela, para uma proteção extra, é possível também usar outros produtos que contam com FPS. Mas isso não exclui a aplicação do protetor solar posteriormente. Além disso, os protetores com cor são boas opções. Eles ajudam formando uma barreira física contra os raios ultravioletas. “Manchas já existentes podem ser melhoradas lançando mão de ativos como a vitamina C, que atua nas manchas, clareando-as, e ainda funciona como um antioxidante, combatendo os radicais livres. Para esse objetivo, são usados produtos com concentrações mais altas do ativo, mais de 10%”, esclarece. Outra opção é o Retinol que também ajuda a combater a hiperpigmentação da pele. 

Existe também a possibilidade de realizar procedimentos estéticos no consultório.  Laser, luz pulsada, e peelings são algumas das opções usadas para combater o quadro. “Os tratamentos são indicados de acordo com cada caso e tipo de mancha”, finaliza a médica.

Sobre Dra. Luciana Garbelini

Dermatologista formada pela Universidade de Santo Amaro. Residência médica em Dermatologia na Universidade de Santo Amaro

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Queda de cabelo e Covid: existe alguma relação?

Doutora Andrea Frange, especialista em tricologia, tira suas dúvidas

A covid-19  pode trazer efeitos após o fim do ciclo do vírus no corpo. Além de prejuízos relacionados com olfato, paladar e respiração, há relatos de queda de cabelo acentuada após a infecção. A dermatologista especialista em tricologia Andrea Frange, da Clínica Luciana Garbelini de São Paulo, destaca aspectos que podem explicar mais sobre essa relação.

Assim como outras consequências decorrentes da covid, os efeitos posteriores estão sendo descobertos ao mesmo tempo em que se busca saber mais sobre a doença. “As possíveis causas de queda de cabelo como uma das decorrências do coronavírus ainda ficam no campo das probabilidades, como tudo ligado a esse vírus. No entanto, já se sabe que o covid pode causar o eflúvio telógeno agudo, quadro este que acontece quando há uma perda de cabelo acima do normal”, diz a médica.  

No geral, essa queda acentuada pode ser uma das formas de o corpo refletir problemas ou transformações que o organismo passou ou vem passando nos últimos tempos. “Os gatilhos para isso são vários. O uso de medicamentos, por exemplo, – como antibióticos e alguns anti-inflamatórios -, e infecções de uma forma geral. Cirurgias, estresse físico e psicológico, até luto. Além de perda de peso, má qualidade do sono ou comprometimento da alimentação, e consequentemente do fornecimento de nutrientes importantes para o organismo, também podem ter relação com a queda”. 

De acordo com a médica, na covid-19 acontecem alterações inflamatórias no organismo que podem ocasionar o quadro.  “E, pelo que tem se observado, parece que essa queda do cabelo acontece antes – com cerca de dois meses após o fato gerador – quando comparada a outras situações que também podem ser gatilhos para o quadro. E que a queda ocorre com três meses”, afirma Andrea. 

A dermatologista ainda diz que é preciso ter mais atenção se tratando de pacientes que já tem alguma questão que envolva queda de cabelo, caso estes venham a desenvolver covid. “É necessário observar como isso vai impactar no cabelo, se vai apresentar uma queda mais acentuada quando comparada ao seu histórico capilar.”

O que fazer?

Andrea explica que é importante ficar atento se o padrão de queda foge ao normal, sendo importante passar pela análise de um especialista. “Só ele poderá avaliar o quadro e indicar o tratamento ideal para cada caso”. Manter os fios limpos e secos, evitar tração excessiva, desembaraçar com cuidado, são atitudes simples e que devem ser seguidas no dia a dia. “Mas se a queda for programada, ou seja, se o organismo do paciente já iniciou o desprendimento a partir de um gatilho, ela vai acontecer de qualquer forma. Por isso é necessário orientação médica para avaliar a causa do problema e todas as circunstâncias que podem estar envolvidas na queda,” finaliza.

Sobre Dra. Andrea Frange

Dermatologista Formada pela Universidade de Santo Amaro. Residência médica em Dermatologia na Universidade de Santo Amaro. Especialização em Tricologia pelo Hospital do Servidor Público Municipal. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.